Histórico
Fim dos anos 50. A cidade de La Plata presencia uma infância feliz. Meu pai trabalhava como engenheiro em Obras Sanitárias da Província (espécie de SABESP) e como professor de Engenharia da Universidade. Havia começado a vida numa cidade pequena que prometia novas oportunidades. Minha mãe dedicava-se de corpo e alma à criação de três filhos: Eu (o mais velho), Eduardo Daniel (Dani) e Jorge Alberto. A caçula Paula Inês chegaria em 1973 quando eu tinha completado 16 anos.
Entre 1960 e 1970 fiz o jardim de infância e o ciclo do fundamental I (até 7ª série) na escola Joaquim Víctor González, que pertencia à Universidade Nacional de La Plata. Como a minha escola não funcionava período integral atendendo as áreas laica e judaica, em paralelo tive que completar a escola judaica no colégio “J. N. Bialik”.
Os estudos secundários demoraram mais cinco anos (1970-1975) no Liceo Víctor Mercante, conceituado pelo seu diversificado programa escolar e tido como o melhor da cidade. Línguas (francês, inglês, espanhol), Ciências (Biologia, Zoologia e Botânica) e disciplinas Humanas (História, Geografia e Literatura), além das Ciências Exatas (Matemática, Física e Química) faziam parte do currículo obrigatório.
Nos anos 60-70 a educação judaica em La Plata era de excelência. Meus avós maternos Zelik e Ana Turkenich, tiveram grande responsabilidade na minha formação. Foram eles junto a meus pais, que impuseram um intenso ritmo de estudo. Dos anos 70 guardo belas lembranças.
Em 1975 o ciclo escolar se encerra. Havia chegado o momento de concretizar um dos maiores sonhos acalentados durante a minha vida: viajar a Israel para dar continuidade a meus estudos universitários.
Quando cheguei a Israel em 1976, o país completava seu 28º aniversário. Morar em Israel naquele tempo era o máximo: qualidade de estudo nas instituições de ensino superior, possibilidades de trabalho para completar a bolsa de estudos, passeios turísticos e arqueológicos inesquecíveis, e o convívio com meus familiares que lá viviam; faziam parte inseparável de uma experiência ímpar. Naturalmente, a saudade da família distante também batia forte.
Durante treze anos (1977-1990) cursei História e História Judaica na Universidade Hebraica de Jerusalém. Lá obtive meu BA, MA e PhD. A História não era apenas vocação como também minha paixão. Confesso que e até hoje aproveito cada ensinamento desses mestres de renome internacional como os professores Jacob Talmon, Joshua Prawer, David Asheri, Joshua Arieli e Haim Beinart. Isto sem minimizar mestres mais jovens como Yosef Kaplan, Ron Barkai e B.Z. Kedar que atualmente continuam na árdua tarefa de formar a nova safra de historiadores israelenses.
Em 1979 casei em São Paulo com Anete Zimerman, minha parceira na estrada da vida há 30 anos. Entre 1984-1987 fui convidado a desenvolver um trabalho diplomático em Porto Alegre. Aceitamos o desafio desempenhando funções consulares, e ampliando assim meus horizontes culturais. Novas amizades e uma época que deixou saudades. A chegada ao mundo de Alon em Jerusalém (1983) e Nurit em Porto Alegre (1986) foram dois acontecimentos inesquecíveis, os mais significativos de toda minha vida.
Em 1990 uma oportunidade de crescimento profissional nos trouxe ao Brasil novamente. Trabalhos nas áreas industriais e comerciais me aproximaram ao mundo da administração. Estava frente a novas experiências, no entanto a minha paixão continuava sendo a História. Comecei a ministrar aulas em escola e Universidade. Fui curador de duas exposições, escrevi meu primeiro livro e publiquei mais de 50 artigos científicos.
O Brasil nos abriu suas portas. É um país de oportunidades. Nossos filhos são profissionais e cada um trabalha na sua profissão. Aqui aprendi um valioso ensinamento: é preciso semear quando jovens, pois com o passar do tempo fica difícil começar a vida. Fazendo minhas as palavras do sábio rabino Elisha ben Abuiá, mencionado na Ética dos Pais, diria:
“Se alguém aprende quando criança (jovem) aceitará e reterá com facilidade o que estudou, assim como o papel novo retém a tinta, ela não escorre e a escrita se mantém nítida e duradoura”.
Segundo a analogia da Ética dos Pais os ensinamentos adquiridos podem ser comparados à tinta. Ela sozinha é inócua. Tudo depende do que se escreve com ela. Você pode escrever poemas sublimes ou frases supérfluas. A tinta é apenas um meio para produzir mensagens no papel, para comunicar idéias e pensamentos. O essencial é o que se faz com ela. Da mesma maneira, muito depende de quão efetivamente o conhecimento (saber) se converte em algo seu, para viver dentro de você, e do que você fizer com ele. Não tenho a menor dúvida: se alguém absorve conhecimentos na idade mais terna, sem dúvida escreverá uma biografia muito mais significativa ao longo de sua vida.
Desejo a você, caro visitante, uma boa leitura, e tenha certeza que os ensinamentos existentes neste site pessoal são fruto de perseverança e dedicação; resultado final de dois componentes fundamentais na vida de todo ser humano: transpiração e inspiração.